quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Vá ao teatro

Luis Miguel Cintra é o encenador que todos conhecemos, Cristina Reis faz os cenários mais fantásticos que existem e os actores, cada um à sua maneira, fazem um excelente trabalho. Uma comédia carregada de tragédia. A questão fica sempre no ar "Trará felicidade o dinheiro?". Um texto do séc. XIX que fala das relações de poder e de ganância. Um texto tão antigo que retrata na perfeição a sociedade actual em que vivemos, onde todos somos actores e desempenhamos o nosso papel da forma que mais nos convém, indo, por vezes, contra os nossos princípios.
Não percam.


Lisboa
Teatro do Bairro Alto, de 10 de Janeiro a 17 de Fevereiro de 2008

3ª a sábado às 21h e domingo às 16h


Tradução:
Nina e Filipe Guerra
Encenação: Luís Miguel Cintra
Cenário e figurinos: Cristina Reis
Desenho de luz Daniel Worm d’Assumpção
Interpretação: António Fonseca, Dinis Gomes, Duarte Guimarães, Márcia Breia, João Pedro Vaz, José Gonçalo Pais, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luis Miguel Cintra,Teresa Madruga e Rita Durão

Uma das comédias mais importantes daquele que tem sido chamado o fundador do teatro russo. Escrita em 1871, A Floresta, traça com delicado humor o retrato de um grupo de personagens numa herdade russa do fim do século XIX, as suas relações, os seus anseios, a sua ignorância, as suas insatisfações, o seu mau viver. Tudo gira em torno da tensão entre o dinheiro e a felicidade. Os ricos não conseguem ser felizes com o seu dinheiro. Os pobres não são felizes porque o não conseguem ter. A proprietária, viúva rica e aparentemente virtuosa, vai vendendo talhões da sua floresta a um mujique enriquecido, que lhe corta as árvores para aproveitar a madeira, e guarda o dinheiro para os prazeres com que sonha. Impede a alegria dos que a rodeiam, seus criados e protegidos. Dois actores ambulantes chegam um dia à herdade e vêm perturbar este equilíbrio. Esses, os artistas, têm a ilusão de poderem ser felizes sem dinheiro. Geram-se mais desencontros que encontros em divertidas situações que têm tanto de real como de teatral. Considerada habitualmente como uma "comédia de costumes", a obra tem uma qualidade poética que chega a lembrar Shakespeare na sua capacidade para pôr em cena a vida verdadeira sem nunca "moralizar", para entender os seres humanos nas suas pobres contradições.

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